LUCIANO PAGLIARINI está de volta e pronto para continuar deixando a sua marca no ciclismo nacional.
Maior nome da modalidade no Brasil nos últimos anos, o atleta foi apresentado oficialmente nesta semana como novo reforço da equipe Memorial/ Santos/ Giant/ Nossa Caixa.
PAGLIARINI se mostrou entusiasmado com a possibilidade de iniciar um novo ciclo olímpico no País, depois de uma década morando na Europa.
Confira entrevista com o experiente ciclista:
Luciano, contente com este retorno ao Brasil?
Muito.
Era um objetivo meu desde o primeiro dia que pisei na Europa.
Depois de 11 anos, é um bom momento para voltar ao ciclismo nacional.
O que você conhece da atual equipe da Memorial?
A Memorial existe há muitos anos.
Conheço as pessoas que compõe a equipe desde quando comecei a correr de bicicleta.
Acho que dentro do ciclismo brasileiro é o ambiente mais saudável, confiável e seguro para se fazer um projeto a longo prazo, como no caso da preparação para as Olimpíadas de 2012, em Londres.
Acho que é um bom passo para a minha carreira este retorno na Memorial.
E como foi o primeiro contato com o os componentes da equipe?
Já conhecia todos os ciclistas e este primeiro contato foi fantástico.
Ótimo mesmo.
Depois de tantos anos fora, voltar a fazer parte de uma equipe onde todos falam a minha língua, que fazem as mesmas brincadeiras e piadas é sensacional.
É mesmo um sonho.
Você parece estar feliz.
Foram muito duros estes anos na Europa?
Foram muito bons.
Foram anos importantíssimos para mim e para o ciclismo nacional, porque abriram portas para outras pessoas.
Mas o ciclismo europeu é extremamente profissional.
O contato fora do trabalho é mínimo.
A relação pessoal entre atletas e com o staff é muito frio.
Aqui a gente sente uma diferença.
Apesar de toda a seriedade e dos objetivos traçados para o calendário, existe uma amizade e uma relação diferente.
E neste período em que você esteve na Europa o que pode destacar como mais importante?
Aprendi algo novo a cada dia.
Não teve uma coisa em particular.
Os 11 anos fora me ensinaram muito.
Coisas que vou usar para minha vida inteira e não só como ciclista, mas como pessoa.
Foram 11 anos importantíssimos na minha trajetória como homem.
Mas, na verdade, acho que ainda tenho muito que aprender.
E em termo de resultados, o que você destacaria?
Duas provas, das quase 40 que venci na Europa, me fazem ter um grande orgulho.
Em 2003, realizai um sonho ao vencer o Erik Zabel, que era o meu grande ídolo.
Isso na última etapa da Volta de Múrcia.
Eu ganhei e ele foi segundo.
Ele é um velocista em que eu sempre me espelhei.
Cruzar a linha de chegada dentro de Múrcia, com milhões de pessoas olhando no local e pela televisão, foi especial.
No ano passado, ganhei uma etapa do Pro-Tour, na Holanda, batendo gente como Mark Cavendish e Thor Hushovd, que são os melhores velocistas do mundo.
Isso também é motivo de grande orgulho.
Estas duas conquistas são as cerejas sobre a torta.
Como você vê o atual estágio do ciclismo nacional?
Acho que melhorou muito em relação a 1998, que foi a minha última temporada no ciclismo nacional.
Temos mais equipes, mas corridas, mais atletas falando a linguagem do ciclismo, com treinamentos de alto nível.
São projetadas táticas durante as provas, onde uma equipe controla o pelotão e as outras atacam.
Existe um trabalho que antes não existia.
Na época em que corria pela Caloi era largar e ganhar.
A gente, que sabia correr um pouco melhor que os outros atletas, mesmo não estando na melhor forma física, acabava ganhando pelo erro das outras equipes.
Hoje é diferente.
O fato de a Memorial já ter dez anos de estrada e contar com o Cláudio Diegues como técnico, ele que também é o treinador da seleção brasileira, pesou na tua escolha na hora de voltar ao Brasil?
Com certeza.
Quando foi anunciado que estava vindo para o Brasil e que talvez viesse para a Memorial, outras cinco equipes me ligaram na Itália e tentaram fazer uma aproximação.
Mas acho que hoje em dia, dentro do Brasil, não existe um time com pessoas e estrutura melhores para trabalhar seriamente.
O seu Pepe (Altstut, proprietário da Memorial) e o Cláudio são as pessoas que mais dão tranquilidade para que eu possa baixar a cabeça em cima do guidão e só me preocupar em pedalar, visando um trabalho de longo prazo, como deve ser feito.
Como você se encontra fisicamente e tecnicamente?
Estou há 11 meses sem competir.
Tivemos problemas no ano passado com o fechamento da equipe que eu defendia.
Outra que deveria ser montada acabou não saindo do papel.
Outras opções surgiram, mas não eram interessantes.
Seria quase uma prostituição para continuar correndo neste ano.
Foi uma fase muita chata e muitas coisas se passaram pela minha cabeça, até de me perguntar se era hora de abandonar o ciclismo.
Este tempo fora do ciclismo foi necessário para perceber que ainda tem muito suco para espremer desta laranja.
A estreia pela Memorial será na Volta de São Paulo.
Como você pretende encarar esta competição?
Já estou com uns quatro, cinco meses de muita preparação física, mas sem ritmo de prova.
Preciso disputar a Volta de São Paulo com a consciência de que estou entrando para retornar ao ciclismo, entrar no ritmo e na resistência do pelotão.
Aguentar as pancadas da corrida e isso não é brincadeira.
É muito difícil.
A volta de São Paulo, com dez etapas, será perfeita para encontrar esta forma e me integrar à equipe.
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