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6/15/2009 8:08:16 PM

RAAM: Superação leva brasileira a cruzar os EUA


Divulgação
A carioca Dani Genovesi tentará completar a competição no tempo máximo de 12 dias

Serão 12 dias para completar 4.800 km, atravessando os Estados Unidos de ponta a ponta.

Este é o desafio da brasileira DANI GENOVESI, a primeira ciclista do país a tentar a sorte na duríssima Race Across America, que terá início nesta terça-feira 16 de junho.

Partindo da Costa Oeste, em Oceanside, na Califórnia, a competidora tentará chegar à cidade de Annapolis, na Costa Leste.

Mas o que motiva uma mulher de 41 anos, mãe de três jovens a tentar a sorte em uma das provas de resistência mais duras do mundo?

Com certeza não são os US$ 2 mil dólares dados à campeã da categoria solo.

"É aquela coisa de superar seus limites", explica a carioca.

"Eu sei qual é o meu limite atual e minha vontade é chegar a um limite ainda não alcançado."

A história de DANI e o esporte é de longa data.

Formada em Educação Física, ela competiu no atletismo quando era garota, a partir dos 16 anos.

Depois, teve sucesso no bodyboard antes de partir para uma década dedicada ao jiu-jitsu.

Como professora, as aulas de spinning influenciaram para que ela se dividisse entre o mundo do ciclismo, no qual já completa uma década, e o trabalho como personal trainer.

Para que pudesse entrar na Race Across America, DANI teve de provar sua resistência no Desafio 24h de Fortaleza.

Com a vitória, pôde se inscrever.
Mas não sem apoio.
Com o patrocínio de uma empresa de cimento, teve condições de montar sua vasta equipe.

Serão nove pessoas acompanhando a ciclista, entre motoristas, navegadores, fisiologista e até um professor de yoga.

As funções de motorista e navegador são das mais importantes.

Eles recebem o guia para direcionar a ciclista, já que uma decisão errada no trajeto pode comprometer o tempo de prova.

Mas, como a equipe é pequena, as funções funcionam com revezamento:
Um motorista pode ser navegador, um médico pode dirigir e assim por diante.

Entre as nove pessoas, divididas em dois carros, seis trabalham com a ciclista, enquanto três descansam.

Um dos carros é na verdade um "motorhome", uma espécie de trailer com cama, banheiro e cozinha.

Como não há etapas, é importante dirigir o máximo possível.

Então, caso não ache um motel pelo caminho, DANI descansa no próprio carro, nas quatro horas em que não está sobre a bicicleta.

Um dos aspectos mais importantes e que também ficam a cargo da equipe da atleta é a alimentação.

Como o gasto de energia é enorme, DANI tem de ingerir até oito mil calorias por dia.

"É uma alimentação especial para eu ter o máximo de calorias possível, mas de forma otimizada, sem perder tempo", explica ela.

"Como alimentos em forma de gel e de pós, e uma ou duas vezes por dia paro para comer algo como uma macarronada com frango."

Esforço físico e mental

Para DANI GENOVESI, a prova em 70% é decidida pelo psicológico dos atletas.

Tanto que, para garantir este aspecto, ela conseguiu levar seu professor de yoga para acompanhar o desafio.

"Ele funciona como o meu terapeuta e cuida da minha musculatura. E, quando posso descansar, ele entra com técnicas que me acelerem o relaxamento, induzindo a um descanso melhor", conta a ciclista.

Mudanças de roupas três vezes ao dia, e a proteção com filtro solar são outras preocupações.

É claro que as bicicletas também estão entre os elementos primordiais para a prova.

DANI levará três, feitas de carbono, sendo que a mais leve pesa 7,2 kg.

Na parte física, a comparação é com o Tour de France.

Os organizadores dizem que a Race Across America é uma resposta à prova mais famosa do ciclismo já que, enquanto seus competidores fazem 4.800 km em 12 dias, na França a distância é de cerca de 3.500 km em três semanas.

Para agüentar a maratona DANI realizou simulados.

Pedalou em Campinas (SP) e fez um tour pelo Rio de Janeiro, passando pela capital, e cidades como Três Rios, Friburgo, Macaé, Cabo Frio e Campos.

Nesta etapa, foram mil quilômetros em apenas 48 horas.

Um dos cuidados foi para que a intensidade da preparação não atrapalhasse em sua vontade.

"Tive o cuidado para não me desgastar emocionalmente. Tenho de chegar à prova com vontade de pedalar e não saturada e sem vontade de olhar para a bicicleta", explica ela, que também se privou do sono para se acostumar às condições desta maratona em território norte-americano.

Família participa da equipe

Aos 41 anos e mãe de três filhos, DANI terá o apoio de duas pessoas de sua família durante a prova.

Sua filha e o marido estão na equipe que acompanha a ciclista durante toda a prova.

A filha, de 16 anos, tem uma das missões mais importantes, cuidando de toda a alimentação da mãe durante os 4.800 km.

"A Julia faz parte da equipe e nas 24h de Fortaleza, ficou o tempo inteiro do lado da pista. A função dela é fundamental, porque tenho toda uma dieta montada pelo médico e ela fica responsável por separar e preparar tudo", explica DANI.

Já o marido ajudará na parte de navegação.

Apesar do apoio, a família também torce um pouco o nariz.

"Meus filhos me apoiam. Na verdade, todos me acham meio louca, mas sempre me dão apoio", garante ela.

Sol e chuva, calor e frio

Não é apenas a distância que preocupa para que DANI possa completar os 4.800 km em 12 dias.

As condições durante a prova são um obstáculo importante na travessia.

"Enfrentarei de tudo, desde o calor infernal do deserto até temperaturas baixas de Utah e Colorado, quando chego a uma altitude de quase 4 mil metros e frio de 1º C. Quanto ao terreno, haverá muitas subidas, mas também trechos planos intermináveis, que são muito desgastantes", explica ela.

Assista na SS TV:
>> Race Across América

Fique por dentro:
>> Cobertura da edição 2008
>>
Cobertura da edição 2007

Fonte: UOL






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