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6/22/2007 5:23:52 PM

RAAM: Brasileiros entram para a história nos EUA


Kayvon Beykpour/RAAM
Cláudio Clarindo é o primeiro sul-americano a completar a RAAM

O Brasil tem dois novos “heróis” no ciclismo

Os santistas CLÁUDIO CLARINDO, 30, e JÚLIO PATERLINI, 41, entraram para a história da modalidade, ao completarem a Race Across America (RAAM), a mais dura prova de longa distância do Mundo.

Apesar de competirem entre si, na categoria solo (individual), os dois chegaram juntos, lado a lado, na manhã desta sexta-feira 22 de junho, em Atlantic City, após pedalarem 4.898,6 km ininterruptamente, cruzando os Estados Unidos, do Oceano Pacífico ao Atlântico.

Depois de muita rivalidade, disputas acirradas, a chegada foi emocionante com muita festa para os dois, que receberam juntos as medalhas de “finisher”.

Apelidado de “Black Bull”, o Touro Negro, CLARINDO (Unilus/ A Tribuna/ Ciclovece) garantiu o inédito feito de ser o primeiro latino-americano a completar o desafio na solo e, com as penalidades (1h30 a mais no seu tempo), completou o difícil trajeto em 11 dias, 18 horas e 4 minutos.

PATERLINI (Sundown, Memorial, Epic Line, Cateye, Profile, PowerBar e Prefeitura de Santos), com 3h45 minutos de punição, ficou com 11 dias 20 horas e 25 minutos.

Sem os tempos extras, a diferença dos dois seria de apenas seis minutos, ainda com vantagem para CLARINDO, que terminou em 11º lugar, seguido por PATERLINI.

“Ainda não estou acreditando que pedalei tudo isso. Ainda mais no ano que o percurso foi o mais duro e que a prova teve mais competidores. Foi uma satisfação para o Brasil, para Santos, que dois ciclistas completaram esse desafio”, comemorou CLARINDO, que apesar de todo o cansaço, ainda teve forças para passear num shopping.

Feliz com o feito de ser o primeiro latino-americano a completar a prova, o bicampeão das 24 Horas de Fortaleza lembrou alguns momentos difíceis nos 11 dias.

“Teve uma noite que pedalei a zero grau, numa montanha de 10 mil pés. Passei mal lá. Tinha horas que nem sabia onde eu estava”, lembrou o ciclista.

“Fiz a melhor subida numa montanha de 11 mil pés, isso dá mais de 3 mil metros. Bicho, fui duro demais”, contou.

Equipe de sucesso

Para CLARINDO, um dos segredos de ter completado a prova foi a equipe de apoio, que o acompanhou a todo o momento.

“Nossa equipe foi a menor, com apenas cinco pessoas e foi a que trabalhou mais redondo. Todos calmos, respeitando. Isso faz a diferença. Quando chegamos lá, o pessoal achava que era Jamaica Abaixo de Zero, que não íamos conseguir, mas a equipe deu um show”, afirmou CLARINDO.

O grupo contou com MARCO DIAS, WILLIAN CARVALHO, o Japão, DOUTOR JOSÉ CASTRO e ROMUALDO KUBIAK, além do cinegrafista TONINHO PINHEIRO.

“Esse pessoal vale ouro. Também tivemos um apoio sensacional do Maurão, um brasileiro que mora em Los Angeles e foi a nossa salvação. Ele atuou como um quartel-general. Em vários pontos da prova não tínhamos como acessar internet e então ligávamos para ele para saber a situação. Ele foi o sexto elemento”, destacou.

Na disputa particular entre os dois santistas para saber quem seria o melhor latino-americano, os dois se alternaram na ponta.

No começo, PATERLINI foi melhor, mas depois sofreu com uma contusão no joelho esquerdo.

CLARINDO chegou a assumir a nona colocação.

Nas últimas 24 horas de prova, o clima esquentou.
PATERLINI alcançou CLARINDO e os dois fizeram um duelo emocionante.

Mas em certo momento, PATERLINI decidiu reduzir o ritmo e propor uma “trégua”.

Os dois, então, pedalaram lado a lado, visando o final da prova, para colocar Santos e o Brasil em destaque no cenário Mundial do ciclismo.

“O Júlio ficou mal, mas pedalou igual a um leão. Mas antes de decidirmos ir juntos, passamos a madrugada numa disputa de louco. Eu o respeito muito como ciclista. Quando o pau estava comendo, ele chegou junto e disse que não ia dar. Vi o respeito que ele tinha por mim e fomos conversando, para representar bem a nossa Cidade, o nosso País”, argumentou CLARINDO.

Na RAAM, os ciclistas atravessaram todo o País, enfrentando diversos tipos de relevo e clima, inclusive o deserto do Mojave, para completar 4.898,6 km, entre Ocean Side, na Califórnia, até Atlantic City, em Nova Jersey - do Oceano Pacífico ao Atlântico.

Foram apenas 24 atletas selecionados, sendo que cinco abandonaram.

O vencedor foi o esloveno JURE ROBIC, que comemorou o tricampeonato, com 8 dias, 19 horas e 33 minutos de esforço.

Fique por dentro:
>> Cobertura completa do evento

Com a colaboração de Fábio Maradei






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