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5/17/2007 12:09:46 PM

Júlio Paterlini disputará a Race Across America


Ivan Storti/Divulgação
Júlio Paterlini está em fase final de preparqação para a RAAM 2007

Tricampeão do Extra Distance e com experiência no Le Tour Ultime, o santista JÚLIO PATERLINI disputará em julho deste ano, a Race Across América (RAAM), a mais dura e longa prova de ciclismo de estrada do Mundo, com 4.898,6 km, entre de Ocean Side, na Califórnia, e Atlantic City, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, indo do Oceano Pacífico ao Atlântico.

Aos 40 anos de idade e mais de 20 dedicados aos pedais, o ciclista fez uma preparação específica para a sua estréia na prova, com expectativa de ser o primeiro sul-americano a completar o desafio na categoria solo (individual).

Acompanhe entrevista com o ciclista sobre a sua estréia na RAAM:

Como surgiu a idéia de participar da RAAM?
Estou no ciclismo há muitos anos e sempre fui um atleta de provas curtas.
Dei uma parada no esporte por praticamente 10 anos, e nesse tempo, abri minha loja, casei e tive filhos.
Quando retornei ao ciclismo estavam implantando as provas de resistência no calendário nacional e como me identifico com esse tipo de competição, fiz a minha inscrição na primeira prova de longa distância no Brasil, o Extra Distance.
Participei e tive a felicidade de conquistar minha primeira vitória nesta competição, ganhando por mais dois anos consecutivos, o que me rendeu o título de tricampeão brasileiro em longa distância.
Com o primeiro título conquistei a vaga para participar da RAAM, nos Estados Unidos, e desde então, estou tentando participar deste desafio.
Realmente peguei gosto pela coisa e continuei me inscrevendo nestas provas.
Participei do Le Tour Direct, na Holanda em equipe, e do Le Tour Ultime, na categoria solo.
No ano passado, eu iria para a RAAM, mas como alguns integrantes da minha equipe não conseguiram tirar o visto para entrar nos Estados Unidos não pude ir e mudei meu calendário para o Le Tour.

Já sabe exatamente o que vai enfrentar?
Já estudou percurso, altitudes, climas?

Como passei pela experiência de fazer o Le Tour Ultime, já tenho uma idéia do que é importante e o que temos que fazer para adiar o quanto pudermos o meu sofrimento de tantos dias pedalando sem parar.
Fizemos o levantamento de tudo e agora estamos acertando os detalhes do que levar, períodos de trabalho dos staffs, logística da prova, alimentação, medicação, roupas e equipamentos.

Está preparado para todas as dificuldades?
Essa preparação é principalmente para a parte psicológica, pois o sofrimento físico virá com certeza e o que tenho que fazer é administrar este desgaste.
Minha cabeça e a minha equipe que farão isso.

Qual será a estratégia no início?
Minha estratégia é tentar acompanhar os outros competidores com cautela, provavelmente um que esteja com mesmo preparo e ritmo que eu, me alimentar bem, fazer uma boa hidratação, descansar nas horas determinadas e tentar sobreviver pra completar a prova (rindo).

Quem fará parte equipe de apoio?
Serão oito pessoas.
Flávio Marani Júnior, chefe de equipe; Jeane Brasil, coordenação, Carol Rossi, nutricionista, Carlos Eduardo Barreto, fisioterapeuta, Marcos Vinícios Faria e Vicente Pavoni, no apoio, além de mais outros dois que irão confirmar.

Qual o grau de importancia do pessoal de apoio?
Quando pedalamos por muito tempo, depois das primeiras 48 horas, começamos a sentir os efeitos do desgaste, tanto na parte física, quanto na psicológica e emocional.
É a partir desta hora, que a equipe se torna imprescindível para que o atleta continue mantendo o seu desempenho e termine a competição com saúde.

Qual a expectativa de ser o primeiro sul-americano a completar o solo?
Na verdade, hoje, eu só penso em largar e terminar a prova bem.
Se completar, ficarei muito feliz em ser o primeiro sul-americano a fazer uma distância tão longa.

Pensa em vitória?
Hoje penso em completar a prova com uma boa colocação, mas se tiver a oportunidade e condições de brigar pelo lugar mais alto do pódio, com certeza estarei brigando pela vitória, que afinal é o maior objetivo de qualquer atleta.

Você terá como rival um outro santista, com quem já competiu e em certo momento foi parceiro numa disputa.
Isso é motivação a mais, ou na hora da prova, não tem como pensar nisso?

Eu, com certeza, estarei bastante focado e concentrado na prova, porque se tiver um pequeno descuido que seja, poderá por em risco toda a competição.

Desde quando está programando esta participação?
Como citei acima, tenho o objetivo de participar da RAAM desde quando conquistei a vaga ganhando o primeiro Extra Distance em 2003.
Mas acertei tudo para ir mesmo no ano passado e não pude por falta de visto junto ao consulado americano.

Qual foi a maior dificuldade para esta viagem?
A maior dificuldade foi conseguir pessoas competentes para integrar a equipe, pois são 12 dias confinados dentro de um motorhome ou pace-car, andando na maior parte do tempo a 30 km/h e tendo que trabalhar praticamente o tempo todo.
Os staffs que se comprometem a ir deixam seus compromissos de lado para acompanhar um atleta por amor ao esporte e a modalidade, porque fazem tudo de graça.
A segunda maior dificuldade é arrumar patrocínio, pois o custo da prova é alto por causa do deslocamento da equipe de tem no total nove pessoas, aluguel de carros, hotel, alimentação e inscrição.

Como foi a preparação? Conta sobre os treinos?
Treinei basicamente com bike o tempo todo.
Fiz treinos de 1000, 800, 400 e 200 km, participei de provas fora do país para melhorar o meu ritmo, fiz provas rápidas para melhorar a minha potência e agora estou lapidando os meus treinos para suportar os longos dias de pedal.
Nestes treinos longos levei alguns integrantes da equipe para terem uma idéia do que é uma prova longa, do que eles têm de fazer e o que irão passar ao longo dos 12 dias (tempo máximo para terminar a competição).

Além de pedalar longas distãncias, o que mais utilizou para se preparar para a RAAM?
Minha preparação foi 90% em cima da bike.

Já tem dimensão do que é completar a RAAM?
Saberei com mais afinco sobre esta sensação quando terminar a prova.
Hoje, sei que será um sofrimento, mas espero que tenha boa disposição e determinação pra superar tudo isso e atravessar a linha de chegada.

Planos futuros após a RAAM?
Tenho a intenção de continuar fazendo provas de longa distância, só que estou deixando maiores programações para depois que voltar da RAAM.

Qual o equipamento vai usar?
Uma bike Sundown de carbono RS1, com grupo Dura-Ace e clip Profile.
Levarei também uma bike reserva do mesmo modelo.

Quais seus patrocínios para a prova?
Sundown, Epic Line, Cateye, Profile, PowerBar, Memorial, Paterlini Bike, Prefeitura Municipal de Santos, FMA Notícias e TV Tribuna.

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Com a colaboração de Fábio Maradei






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